25 de outubro de 2013

Só muda o endereço, o humor, a vontade, a carreira, o apego, o método, o tempero, o...

isso QUANDO forem 6 meses, hummm???
Há algum tempo eu estou juntando feminismo com maternidade e conversando com as mães que eu conheço sobre as dificuldades, as opressões, as barreiras, os enfrentamentos e as crianças delas. E nenhuma dessas mães é igual à outra não, pelo contrário. Apesar de termos dificuldades parecidas, cada uma tem uma forma de lidar com elas, uma forma de ver o mundo, um jeito diferente de cuidar e educar suas crianças.

Nós mães somos iguais apenas para o mundo lá fora.

O que não muda é o julgamento alheio: esse, tá sempre com a gente.

O número de sites sobre maternidade cresceu muito nos últimos tempos e a gente vê a mesma variedade. É muito bonito que as mães tenham espaço para se expressar livremente... mas eu queria mais, queria que as mães fossem ouvidas por todos. Queria que o público dos sites fosse de todo tipo de gente e não majoritariamente de mães. Queria que todos se interessassem pelo futuro das crianças e pela emancipação e valorização das mulheres que, hoje, cuidam praticamente sozinhas delas. Trabalhando fora, em casa mesmo, ou não.

Algumas, por que gostam sim. Gostam não, adoram!

Mas muitas outras, muitas, demais, por pura falta de braços que se apresentem.

Ou de locais de trabalho que recebam os bebês também.


Eu queria lembrar dos pais que não ajudam a cuidar

E ainda exigem que a esposa cuide deles também.

E só pagam pensão quando a mãe aciona a justiça, a cada três meses.

E somem no mundo, não mandam nem dinheiro.

E nem reconhecem a paternidade.

E ainda assim acreditam que o desenvolvimento da criança é uma conquista deles.

Eu queria lembrar das mães que não encontram creche

E por isso não podem trabalhar, não tem outro tipo de renda, vivem de Bolsa Família e sustentam seus filhos com uma média de 237 reais por mês.

Das mães adolescentes, para quem a carreira ainda é parte dos sonhos, e precisam abandonar a escola para cuidar de seus filhos.

Das mães jovens, em início de carreira, que precisam abandonar a faculdade para cuidar de seus filhos.

Das mães que fazem as contas e descobrem que não compensa contratar babá e continuar trabalhando.

Eu queria contar que nem toda creche tem qualidade

Muitas creches tem horários insuficientes e irregulares.

Feriado municipal, recesso, férias... e a família que se vire.

Bebês que voltam pra casa com o bumbum assado.

Bebês que são deixados chorando o dia todo.

Bebês que não tem estímulo sensorial ou cognitivo algum, porque não tem cuidadora suficiente, e as poucas que tem precisam alimentar, trocar, limpar, alimentar, trocar, limpar...

Crianças pequenas que ficam o dia todo assistindo TV.

Crianças pequenas que não tem espaço para andar, correr, brincar.

E mesmo que a creche ofereça tudo isso...

Nada, nada, nada (nem vacina, nem amamentação materna, nem higiene de laboratório de ponta) impede que várias das crianças fiquem doentes quase todo mês.

"Crechite", "gripe infinita", "gripe de criança, tomando remédio ou não, passa em 7... anos."

As mães e pais de crianças que começaram há pouco nas creches e escolinhas já fazem até piada.

Mas não é fácil ver seu filho doente semana sim, semana não.

Até porque, ficar doente tantas vezes compromete o crescimento saudável.

E os empregadores, é claro, não gostam muito disso. "Essas crianças sempre doentes e as funcionárias sempre faltando".

Eu queria contar que a maioria dos sindicatos não brigam pelos direitos dos nossos filhos

Pode até ter dentista, material escolar e desconto no pediatra.

Mas não tentam fazer com que as creches abram no sábado de manhã.

Aceitam acordos irrisórios sobre os dias de licença para tratar de doença de familiares.

Não tentam melhorar o valor do Auxílio Pré-Escola.

Não negociam com grandes empresas a construção de creches e berçários no local de trabalho.

Nem percebem que as empresas são distantes da creche e é praticamente impossível para as mães saírem para amamentar os bebês.

É. E você aí pensando que é só contratar babá, certo?

"Ou deixar com a avó!" 

"Tira o leite com bombinha e congela!"

"E pronto. Agora, você, mãezinha, pode sair de casa tranquila e ser emancipada financeiramente."

"Ou você quer ser uma prostituta exclusiva, uma babá de luxo, uma parasita?"

"Ou você quer que os empregadores continuem dizendo que não contratam mulheres porque muitas delas ficam em casa pra cuidar das crianças?"

"Porque a única forma de comprar seu absorvente, sua pílula, sua roupa, sua maquiagem, o que te der na telha, é trabalhando."

"Porque a única forma de conseguir comida, leite em pó, remédio, fralda, sabonete, casa, roupas, calçados, móveis, luz elétrica, água encanada, gás, brinquedos, livros, teatro, cinema, parquinho... é trabalhando."

"Porque os filhos de quem não trabalha passam fome e necessidade."

"E qualquer trabalho serve, afinal, quem tem necessidade, tem pressa e a vocação não interessa."


"E deuzolivre se o seu marido te abandonar (afinal, quem não trabalha fica burra e desinteressante, sabia?), como você vai viver? Como seus filhos vão viver então?"

"Como vocês vão viver? Eu é que não vou ajudar! O governo tem mais com o que se preocupar! Quem pariu mateus que o embale!"

"Hein, mãezinha? Mãezinha? Mãezinha? Ih... dormiu... preguiçosa."

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Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva Maternidade e Carreira Profissional do Femmaterna. Escreva seu texto também e envie para nós, no femmaterna@gmail.com

Mais imagens ricamente ilustrativas do palpitar alheio em Que raio de mãe? e Maternidade da Depressão.

Um comentário:

  1. Oi, Sharon!!
    Seria bom se todos tivessem esse modo de pensar, cada um com suas escolhas, sempre respeitando a escolha do outro. É benéfico para os filhos terem suas mães à disposição, pelo menos na primeira infância, mas não podesmos julgar mães que pensam diferente, ou até pensam igual, mas não podem deixar o trabalho de período integral, por questões financeiras ou por necessidade de realização profissional. Não é fácil mesmo ficar em casa a cuidar dos filhos, mas as recompensas, compensam! O saldo final quando olhamos os nossos filhos e os vemos íntegros, só gera felicidade!
    Muito boa proposta de blogagem!!
    Em tempo: O 7º BookCrossing Blogueiro está chegando, preparada?
    :)
    Beijus,

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